22 de julho de 2015

Professor da Piaget dá 10 dicas para quem quer se dar bem na redação

Para quem está fazendo provas nessa época e "trava" na hora de escrever, o professor universitário Eric Beuttenmüller tem dicas importantes

Uma das maiores dificuldades dos vestibulandos é a redação. No último Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, pelo menos 500 mil candidatos tiraram zero no texto – por não atender aos requisitos básicos ou simplesmente porque não redigiram sequer um parágrafo. O próximo Enem será em outubro de 2015 e os candidatos não podem mais vacilar. A nota do exame servirá também para a seleção e classificação do Fies – o programa de financiamento estudantil do governo federal. Na Piaget, o vestibular é constituído por uma redação, com avaliação de zero a 100; para ser aprovado, o candidato tem de obter pelo menos 45 pontos.

Para ajudar quem está fazendo provas nessa época do ano, o professor universitário Eric Beuttenmüller elaborou dez dicas especiais. Eric dá aula na Faculdade Piaget, em Suzano, desde 2013. É doutor em Letras pela Universidade de São Paulo (USP), tem mais de dez anos de experiência na área da Educação e também atua como revisor. Veja, a seguir, as dicas do professor:

 1) Planejar o texto.

Aprender a escrever é aprender a pensar, como dizia o professor Othon Garcia. E pensar antes de escrever vai muito além de se fazer um rascunho. É preciso que se tenha de maneira clara e bem definida qual tese vai ser defendida e quais argumentos serão utilizados no texto, antes de começar a escrever.

2) Lembrar que a dissertação é um texto persuasivo.

Mais do que somente trazer informações sobre o tema requisitado, deve-se lembrar que a dissertação é um texto persuasivo, que busca convencer o leitor. Por isso, é necessário que os argumentos consigam persuadir que a tese, a opinião defendida pelo autor do texto, está correta.

3) Elaborar um texto coeso: organize os parágrafos!

O texto deve ser construído de forma que os parágrafos "dialoguem" entre si, que haja uma relação de sentido entre eles. Para isso o uso de conjunções é fundamental. Além de dar coesão, garantirá também que o texto seja coerente, que ele faça sentido para quem o lê.

4) Cuidar da argumentação e da coerência textual.

Por falar em coerência, este é um ponto fundamental em qualquer texto, não só na dissertação. É importante selecionar fatos comprováveis, exemplos, dados estatísticos, alusões históricas para uma argumentação consistente e que consiga sustentar a tese defendida. Além disso, esses elementos devem ser interpretados corretamente para que se faça uma relação coerente entre eles. Para isso é necessário estar bem informado e por dentro do que está acontecendo no mundo.

5) Estar bem informado.

A fim de que se possa selecionar informações, fatos e opiniões que possam servir como base para uma argumentação consistente, é fundamental estar bem informado. Não só sobre o noticiário cotidiano, mas também em relação ao que se pode chamar de conhecimentos gerais. Para tanto, além dos meios de comunicação, é fundamental ler bons livros constantemente.

6) Desenvolver o tema de forma satisfatória. Não seja repetitivo!

É fundamental entender o que a proposta está pedindo, perceber o que deve ser discutido no texto. Além disso, deve-se desenvolver esse tema de forma que se perceba uma linha de raciocínio, uma progressão temática. Não se pode ficar apenas fechado em uma ideia, mesmo que ela seja fundamental, porque o texto fica repetitivo. Muitas vezes, se o assunto é muito amplo, é interessante fazer um recorte, ou seja, delimitar o tema a ser desenvolvido. Assim, pode-se desenvolvê-lo com mais profundidade e complexidade.

7) Conhecer bem as regras gramaticais.

Em qualquer matriz de correção de redações, inclusive a do Enem, há um item que avalia a norma padrão do texto, ou seja, as regras gramaticais. Por isso, é fundamental que o texto não apresente incorreções, ou que elas sejam muito pontuais. Muitas vezes, uma redação com boas ideias e com argumentação satisfatória esbarra nesse problema, o que obriga o corretor a descontar pontos importantes na nota final.

8) Ter clareza e objetividade.

Deve-se evitar o uso de palavras cujo significado não se tenha certeza. Muitas vezes, na tentativa de "falar bonito" o autor do texto usa palavras que não conhece, o que torna o texto confuso ou até mesmo incoerente. O ideal é escrever de forma simples e colocar as ideias e os argumentos de forma clara. O uso de frases curtas na redação também facilita o entendimento do texto.

9) Atentar para a estrutura do texto dissertativo.

A dissertação é composta de três partes: introdução, desenvolvimento e conclusão, cada uma delas com suas funções e suas características. De forma resumida, na introdução deve-se apresentar o assunto a ser discutido e, em geral, explicitar a tese a ser defendida. No desenvolvimento aparecem os argumentos que embasarão a tese do autor. E na conclusão, é o momento de "amarrar" as ideias, retomando de forma sucinta a tese e os argumentos expostos. Pode-se ainda sugerir alguma solução coerente e viável para o problema discutido na dissertação. No caso do Enem essa sugestão é obrigatória, uma vez que existe uma pontuação específica para esse tópico em sua matriz de referência.

10) Reler o texto.

Antes de entregar a redação final, é interessante que se releia o texto. Assim, podem-se localizar alguns erros cometidos e que podem ser corrigidos, principalmente quanto à norma padrão da língua. Em um processo seletivo, cada erro vai ser descontado e pode ser decisivo na composição da nota final da redação.

Eric Beuttenmüller é professor universitário e revisor. Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo (USP), tem mais de dez anos de experiência na área da Educação. Desde 2013 é professor na Faculdade Piaget.

Eric Beuttenmüller é professor universitário e revisor. Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo (USP), tem mais de dez anos de experiência na área da Educação. Desde 2013 é professor na Faculdade Piaget.